O Velho e o Novo Ver ampliado

O Velho e o Novo

Serguey Eisenstein e Grigori Aleksandrov (1929), com Marfa Lapkina,
Konstantin Vasilyev, Vassily Buzenkov, M.Ivanin, Ivan Yudin, URSS, 90 min.

Mais detalhes

Sinopse

Produzindo individualmente, com técnicas arcaicas, os camponeses pobres
que compunham na época a ampla maioria da população da URSS mal conseguiam sobreviver e eram impiedosamente explorados pelos kulaks (camponeses ricos). Cansada de comer o pão que o diabo amassou, a camponesa Marfa Lapkina decide reforçar o movimento pela coletivização da agricultura organizando um kolkoz (cooperativa) com seus vizinhos.
De início, a adesão é pequena, mas em meio a uma intensa luta ideológica entre as velhas e as novas concepções as vantagens da produção coletiva vão se afirmando. Ponto alto do cinema silencioso, “O Velho e o Novo” explora ao máximo os recursos da montagem dialética.

Direção e Argumento Original:
Eisenstein (1898-1948), Grigori Aleksandrov  (1903-83) 

Serguey Mihailovitch Eisenstein nasceu em Riga, Letônia. Estudou arquitetura
e engenharia no Instituto de Engenharia Civil de Petrogrado. Em 1918, alistou-se como voluntário no Exército Vermelho. Em 1920, ingressou no Proletkult,  atuando como cenógrafo e figurinista. Em 1923, publicou na revista LEF o artigo A Montagem das Atrações, dando início a uma vasta produção teórica sobre a linguagem cinematográfica. Estreou no cinema realizando o clássico ”A Greve” (1924). Tornou-se mundialmente conhecido com “O Encouraçado Potemkin (1925). Em seguida dirigiu “Outubro” (1927), “O Velho e o Novo” (1929), “Que Viva México!” (1931, inacabado), “O Prado de Bejin” (1935, inacabado), “Alexandre Nevsky” (1938), “Ivan o Terrível” (1944, 1945). Realizou também importante trabalho como professor do Instituto Estatal de Cinematografia (VGIK).Boa parte de sua obra teórica se encontra reunida nos livros “A Forma do Filme” (1929), “O Sentido do Filme” (1942) e “Memórias Imorais” (autobiografia, 1946).
Grigori Vasilyevich Aleksandrov nasceu em Yekaterinburg, distrito federal dos Urais. Em 1921 iniciou no Teatro Proletkult uma fecunda parceria com Eisenstein, que se estendeu ao cinema. Coescreveu o roteiro de “A Greve” (1924), codirigiu “Encouraçado Potemkin” (1925), “Outubro” (1927) e “O Velho e o Novo” (1929). Em 1930 acompanhou Eisenstein em sua viagem aos EUA. Após a deportação, participou das filmagens de “Que Viva México!” – em 1979 concluiu uma edição das imagens colhidas nesse trabalho, a partir dos storyboards originais de Eisenstein. Retornou à URSS em 1933 e de uma conversação mantida com Stalin e Gorki surgiu o projeto de realizar comédias musicais estreladas por Lyubov Orlova, cantora muito popular que mais tarde se tornaria sua esposa.
As produções deste ciclo são “Amigos Extraordinários” (1934), “Circus” (1936), “Volga-Volga” (1938), “Primavera” (1947). De 1951 a 1957, Aleksandrov lecionou direção no Instituto Estatal de Cinematografia (VGIK). Entre os filmes que dirigiu destacam-se também “Encontro no Elba” (1949), “Glinka” (1952), “Grande Luto” (1953), “Souvenir Russo” (1960), “Lenin na Polônia” (1961), “Lenin na Suiça” (1965), “Skovorets e Lira” (1974).

"O Velho e o Novo" e "A Linha Geral"

Em 1927, Eisenstein e Aleksandrov começaram a filmar "A Linha Geral".
O título provisório era uma alusão à linha geral do partido para o campo: a coletivização da agricultura. A primeira edição foi concluída no início de 1929 e tinha a duração de 121 minutos, mas não foi apresentada ao público. Os autores decidiram realizar uma nova edição do filme, antes de lançá-lo, em novembro, com o título de "O Velho e o Novo" e o tempo de duração de 87 minutos. 

Eisenstein nos EUA

Eisenstein viajou aos Estados Unidos em 1929, acompanhado por Grigori Aleksandrov e o diretor de fotografia Eduard Tissé. Douglas Fairbanks Mary Pickford haviam voltado impressionados com Eisenstein de uma viagem a Moscou em 1926. Ele recebeu um contrato da Paramount "para dirigir vários filmes na conveniência do contratado". Porém, os projetos propostos pelo cineasta, adaptações dos romances “Ouro de Sutter” (Blaise Cendars), "Uma Tragédia Americana" (Theodore Dreiser) e "Guerra dos Mundos" (H.G. Wells) foram sendo rejeitados, um após outro. A Paramount cancelou o contrato, e, em 18 de novembro de 1930, o Departamento de Estado anunciou que estava deportando Eisenstein e seus companheiros, porque eles eram comunistas. Eisenstein se transferiu com a equipe para o México, em breve daria início às filmagens de “Que Viva México!”. O filme era produzido pelo escritor americano Upton Sinclair. Problemas financeiros impediram que ele fosse concluído.

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