Tigre Branco Ver ampliado

Tigre Branco

Karen Shakhnazarov (2012), com Aleksey Vertkov, Valeriy Grishko, Vitalyi Kiscenko, Karl Krantzkowski, Rússia, 104 min.

Mais detalhes

Sinopse
Encontrado quase morto entre destroços fumegantes no campo de batalha, o tanquista Ivan Naidionov tem uma recuperação surpreendente que desafia a capacidade de compreensão dos médicos. Mais misteriosa se torna a história quando ele revela que foi atingido pelo Tigre Branco, indestrutível tanque alemão que surge e desaparece por encanto, deixando um rastro de destruição e morte. Ligados por um elo sobrenatural, o homem e a máquina se empenham numa batalha que se projeta para além daqueles tempos.
"Tigre Branco" foi indicado pela Rússia para disputar o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2012.

Direção: Karen Shakhnazarov (1952)
Nascido em Krasnodar, na região de Kuban, no Cáucaso, Karen Georgievich Shakhnazarov formou-se em 1975, pelo VGIK (Instituto Estatal de Cinema). Em 1987 seu filme "O Mensageiro" recebeu prêmio especial no 15º Festival Internacional de Moscou. Dirigiu 13 longa-metragens, entre os quais "Cidade Zero" (1988), "O Assassino do Tzar" (1991), "Sonhos" (1993), "A Filha Americana" (1995), "A Cidade dos Ventos" (2008), "A Enfermaria Número 6" (2009), "Tigre Branco" (2012) e "Anna Karenina. A História de Vronsky" (2017).
Com muitos prêmios nacionais e internacionais, seus filmes apresentam uma densa reflexão crítica sobre a restauração do capitalismo e o desmembramento da União Soviética. Assumiu em 1998 a direção geral do Mosfilm, o maior estúdio de cinema da Rússia.

Argumento Original: Ilya Boyashov (1961)
Nascido em Leningrado (São Petersburgo), Ilya Vladimirovich Boyashov estudou história no Instituto Pedagógico Herzen e leciona na Academia Naval Nakhimov, ambos situados naquela cidade. Estreou em literatura com a coleção de contos "Toque a Melodia" (1989). Com estilo fortemente influenciado pelo realismo fantástico, publicou também "O Caminho de Muri" (Prêmio Nacional Bestseller, 2007), "Armada" (2007), "Tigre Branco" (2008), "Quem Não Conhece o Irmão do Coelho!" (2010), e "Éden" (2012).

Música Original: Yuri Poteenko (1960), Konstantin Shevelyov (1957)
Yuri Poteenko nasceu em Molodohvardiysk, Ucrânia. Recebeu por cinco vezes a indicação para o prêmio Águia de Ouro, pela Melhor Trilha Sonora Original, incluindo as que criou para "A Ilha Inabitada" (Fyodor Bondarchuck, 2009), "Tigre Branco (Karen Shakhnazarov, 2012) e "O Espião" (Aleksey Adrianov, 2012).
Entre as músicas compostas por Konstantin Shevelyov estão as dos filmes "Não Banque o Louco" (Valery Chikov, 1997), "A Cidade dos Ventos" e "Tigre Branco" (Karen Shakhnazarov, 2008 e 2012).

Guerra e Mistério
Entrevista de Karen Shakhnazarov a Joanna Koslowska

Em 30 de novembro de 2012, "The Moscou Times" publicou entrevista concedida por Karen Shakhnazarov a Joanna Koslowska.
O diretor, que também preside o Mosfilm, maior estúdio de cinema da Rússia, falou sobre seu filme "Tigre Branco", misticismo no cinema e a luta pela reconstrução da indústria cinematográfica no país.

JK: "Tigre Branco" é bem diferente da média dos filmes sobre a 2ª. Guerra Mundial. A história de um soldado que se propõe a derrotar um tanque alemão monstruoso muitas vezes beira o místico. Por que você escolheu esse ângulo particular?
KS: Parti de um conto de Ilya Boyashov chamado "O Tanquista". A escolha se deu simplesmente porque achei a história muito interessante. Penso que é o que a maioria dos diretores fazem quando selecionam o que vão filmar. O "tanque fantasma" que dá nome ao filme lembrou-me "Moby Dick" de Melville. Creio que ainda se pode argumentar que o filme é realista. Muitas cenas, como a da capitulação alemã e o banquete que ocorre na sequência, baseiam-se na íntegra em fontes históricas. Eu diria que o elemento sobrenatural ajuda a tornar a história mais universal. O "Tigre Branco" não se limita a representar a ameaça militar alemã na década de 1940. Afinal, a ideologia nazista está bem viva. Os movimentos neonazistas são abundantes, a filosofia de Nietzsche ainda é considerada respeitável e leci onada em universidades. Muitos vão argumentar que o link Nietzsche-Hitler é tênue. Ainda assim, acho que a leitura de "Anticristo" deixa claro que o nazismo não apareceu do nada. Este é o lugar para o qual o final do filme aponta. Mesmo que os companheiros do tanquista Naidionov procurem convencê-lo de que a guerra acabou, ele sabe que precisa ficar alerta.

JK: Então você concordaria que "Tigre Branco" remete a uma tradição "mística" no cinema: Tarkovsky, Fellini...
KS: Fellini foi provavelmente o diretor que mais me influenciou. Na minha opinião, o que as pessoas chamam de "misticismo" se resume a uma certa sensação de mistério. A própria palavra é derivada de "mistério". Eu sempre senti que a própria vida é um mistério, que os pressupostos racionais sobre ele são sempre limitados. Uma boa obra de arte deve ser capaz de capturar isso. É por isso que eu amo Fellini e Buñuel.

JK: Hitler interpretado pelo ator Karl Krantzkowski também é uma figura incomum. O ditador nazista é frequentemente retratado como um fanático frenético. Em seu filme, ele é frio, reservado e calculista.
KS: Acho que isso é mais próximo da verdade histórica. A tendência de caricaturar Hitler, retratando-o como um palhaço, obscurece a periculosidade de continuação de suas ideias e sua política. Um palhaço não teria sido capaz de alcançar tal poder, criar tal máquina de guerra e cometer tais atrocidades. Ele deve ter sido um político de muito sangue-frio. Quanto a Krantzkowski, eu sabia que tinha que contratar atores alemães. Qualquer outra coisa estava fora de questão. Eu queria que meus alemães falassem alemão, e o alemão soasse absolutamente natural.

JK: Você disse que os filmes de guerra são o gênero mais difícil de dirigir. Por quê?
KS: As razões são puramente práticas. Nenhum outro gênero exige tal esforço físico e incorpora tantas cenas de massa. É claro que falo de filmes que apresentam cenas de batalha. Você pode ter um filme de guerra perfeitamente legítimo com dois personagens conversando em uma sala, nesse caso é diferente.

JK: Você é diretor-geral do Mosfilm desde 1998. Como é que a indústria do cinema russo mudou desde então, e quais foram os maiores desafios?
KS: Eu diria que, na década de 1990, tivemos que começar do zero. Nós literalmente tivemos que reconstruir toda a indústria. A coisa mais importante era transformar o Mosfilm em um estúdio de cinema tecnologicamente moderno, introduzindo uma série de tecnologias de pós-produção cruciais. Foi só no final de 1990 que os modernos equipamentos de som ou computação gráfica apareceram no Mosfilm. Acho que a nossa indústria cinematográfica está agora em pé de igualdade com os europeus. Hollywood é certamente um caso à parte, mas em relação à França ou Itália estamos bem.

JK: Que papel você gostaria de interpretar no cinema russo moderno?
KS: Nunca pensei sobre isso, eu só quero continuar a fazer filmes com base em material que considero interessante. Quanto ao cinema russo hoje, nós do Mosfilm estamos felizes de trabalhar com qualquer um que tenha uma ideia intrigante. No entanto, penso que havia ideias de alguma forma mais artísticas em tempos soviéticos do que hoje. Não é apenas um fenômeno russo. Pense nos diretores italianos em 1960 e 1970: Fellini, Antonioni, Pasolini... Talvez isto seja apenas expressão do modo como a cultura mundial se desenvolve.

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